Conselho de Segurança da ONU, rejeitou, na manhã desta quarta-feira (18), resolução proposta pelo governo do Brasil para a criação de corredores humanitários na região e o cessar fogo imediato da guerra que iniciou no último dia 7, quando o grupo extremista Hamas atacou Israel, O Brasil ocupa a presidência rotativa do Conselho de Segurança.

A votação foi rápida e ocorreu logo no início do encontro, que deveria ter ocorrido nesta terça-feira (17), mas acabou sendo adiado. Na votação, os Estados Unidos vetaram a resolução brasileira, por conta de uma mudança no texto proposta pela Rússia, a de incluir um pedido de cessar-fogo imediato. Ao todo, foram 12 votos favoráveis à resolução do Brasil, duas abstenções e o voto contra dos Estados Unidos, que acabou resultando na rejeição da resolução.

A decisão se deu poucas horas depois do ataque ao Hospital Baptista Al-Ahli, na Faixa de Gaza. O ataque brutal deixou centenas de mortos e deflagrou ainda mais a guerra de informações travadas entre o governo de Israel e da Palestina. O presidente Lula se manifestou sobre a tragédia, e reforçou o pedido para que civis não sejam penalizados com a guerra.

“O ataque ao Hospital Baptista Al-Ahli é uma tragédia injustificável. Guerras não fazem nenhum sentido. Vidas perdidas para sempre. Hospitais, casas, escolas, construídas com tanto sacrifício destruídas em instantes. Refaço este apelo. Os inocentes não podem pagar pela insanidade da guerra”.

O Brasil tem sido cobrado por nações internacionais por não classificar o grupo Hamas como terrorista. Na última sexta-feira, o Itamaraty divulgou nota explicando por que o governo brasileiro não chama o Hamas de terrorista.

Segundo o ministério, o Brasil segue as determinações do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que tem suas listas de indivíduos e organizações consideradas terroristas — e nas quais o Hamas não está incluído. O Brasil está em uma das dez vagas não-permanentes do Conselho de Segurança. Hoje, ocupa também a presidência rotativa do conselho, em um mandato que começou em outubro e vai até o final do ano.

O PT, partido do presidente Lula,  aprovou resolução em que condena os ataques do Hamas contra civis, ao mesmo tempo em que acusa Israel de cometer genocídio contra a população de Gaza. O partido, contudo, não classifica o Hamas como grupo terrorista, na mesma linha seguida pelo governo brasileiro e pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Diante da manifestação do partido, a Embaixada de Israel no Brasil divulgou uma nota, em que diz que há, na decisão da legenda do presidente Lula, “extrema falta de compreensão da atual situação”.

“Qualquer pessoa que pense que o assassinato bárbaro, a violação e a decapitação de pessoas é uma posição política, ou que se trata apenas de uma luta política legítima, possui uma extrema falta de compreensão da atual situação. É muito lamentável que um partido que defende os direitos humanos compare a organização terrorista Hamas, que vai de casa em casa para assassinar famílias inteiras, com o que o governo israelense está fazendo para proteger os seus cidadãos. Deve ser feita uma forte separação entre a organização terrorista Hamas e os palestinos”, diz a nota.

AUTORIA

Iara Lemos

IARA LEMOS Editora. Jornalista formada pela UFSM. Trabalhou na Folha de S.Paulo, no G1, no Grupo RBS, no Destak e em organismos internacionais, entre outros. É mestranda na Universidade Aberta de Portugal e autora do livro A Cruz Haitiana. Ganhadora do Prêmio Esso e participante do colegiado de Inteligência Artificial da OCDE.

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