O Brasil está passando fome em todo os cantos, seja nas cidadezinhas do interior, seja nas principais capitais.

Nestes últimos meses, devido a compromissos profissionais, participações em congressos, conselhos e palestras, tenho cruzado o país como havia tempo não fazia desde o momento mais crítico da Covid. Infelizmente posso afirmar: o Brasil está passando fome em todo os cantos, seja nas cidadezinhas do interior, seja nas principais capitais.

Claro que isso não é novidade para mim e, acredito, para a maioria de vocês. Desde o início da pandemia, a mídia tem divulgado dados alarmantes sobre a deterioração social e econômica do país. Estudo de junho deste ano, divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), revelou que mais de 33 milhões de pessoas passam fome no Brasil. Ou seja, são 33 milhões de homens, mulheres e crianças colocadas à margem da condição mínima de decência humana.

Mas é quando saímos de nosso mundo e andamos pelas calçadas da realidade é que nos damos conta como a falta de políticas públicas e a falta de sensibilidade de nossos governantes têm causado tanta pobreza em um dos países que mais produz e exporta alimentos.

E a perspectiva não é das melhores. Segundo o próprio estudo do Ipea, mais de 125 milhões de pessoas convivem com algum grau se insegurança alimentar. Isso quer dizer que são mais de 125 milhões de homens, mulheres e crianças que talvez se alimentaram hoje, mas não sabem se amanhã isso será possível.

Como ser humano, cidadã brasileira e representante do ambiente do empreendedorismo feminino, confesso que às vezes me sinto incapaz de ajudar a mudar essa triste realidade. Mas também confesso que temos movido montanhas dentro de nossa instituição para amenizar de alguma forma esse injusto cenário.

Em uma ação pontual realizada no fim de 2021, conseguimos arrecadar e distribuir cerca de 35 mil quilos de alimentos em comunidades de todo o país. Beneficiamos 10 mil pessoas e 11 organizações sociais.

Adicionalmente, temos repassado mais de R$ 38 milhões para mulheres em vulnerabilidade social e impactado 9,5 milhões de mulheres em capacitações, acelerações, mentorias, conteúdos e benefícios que permitam a geração de renda.

É pouco, sabemos. Mas sabemos também que graças a um trabalho pautado por parcerias e voluntariado temos mudado vidas e semeado alguma transformação social. Não é necessário muito se cada um fizer a sua parte.

Ana Fontes é empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora - RME e do Instituto RME, Delegada Líder BR W20/G20, eleita uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil pela Forbes 2019 e Top Voices LinkedIn 2020. Autora do livro Negócios: um assunto de mulheres – a força transformadora do empreendedorismo feminino.