Valor para manter uma família de quatro pessoas, seguindo as premissas básicas da Constituição, é de 5,27 vezes o salário mínimo oficial

Por Weruska Goeking, Valor Investe — São Paulo

O salário mínimo ideal e necessário para manter uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 6.388,55, ou 5,27 vezes o piso nacional, que é de R$ 1.212, segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico).

O cálculo leva em consideração a cesta básica mais cara do Brasil, que foi a de São Paulo em julho (R$ 760,45), e o cumprimento da determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

O valor de salário mínimo para cumprir essas necessidades básicas ficou 2,13% abaixo do calculado em junho, já que o preço da cesta básica também caiu no mês passado com a redução dos produtos in natura.

São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 760,45), seguida por Florianópolis (R$ 753,73), Porto Alegre (R$ 752,84) e Rio de Janeiro (R$ 723,75). Nas cidades do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 542,50), João Pessoa (R$ 572,63) e Salvador (R$ 586,54).

59% do salário para o básico

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, em julho de 2022, 59,27% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos.

O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica em julho foi de 120 horas e 37 minutos, menor do que o registrado em junho, de 121 horas e 26 minutos.

Produtos que subiram de preço

O preço do litro de leite integral e do quilo da manteiga aumentou nas 17 cidades pesquisadas em julho. Para o leite UHT, as maiores altas ocorreram em Vitória (35,49%), Salvador (35,23), Aracaju (32,55%) e Natal (30,95%). No caso da manteiga, destacaram-se as elevações observadas em Salvador (9,27%), Belém (8,87%) e Porto Alegre (7,49%).

A extensão do período de entressafra, devido ao clima seco e à ausência de chuvas, somada ao aumento do custo de produção (medicamentos e alimentação) e à maior demanda por parte das indústrias de laticínios foram os fatores que seguiram elevando o preço nos derivados de leite no varejo.

O preço do quilo do pão francês também subiu em todas as cidades pesquisadas pelo Dieese, exceto em Aracaju (-0,57%). As maiores elevações ocorreram em Brasília (4,36%), Belo Horizonte (2,68%) e Goiânia (2,67%).

A farinha de trigo, coletada no Centro-Sul, teve o preço aumentado em 8 das 10 capitais onde é pesquisada. As maiores variações ocorreram no Rio de Janeiro (6,95%), Brasília (6,11%), Vitória (5,79%) e São Paulo (4,91%).

Apesar da queda no preço internacional do grão, internamente, as cotações do trigo e da farinha seguiram em alto patamar, consequência da baixa oferta e da taxa de câmbio desvalorizada.

O valor do quilo da banana (prata e nanica/caturra) aumentou em 15 das 17 capitais, e as elevações oscilaram entre 0,14%, em Belém, e 16,29%, em Vitória. Em Natal (-5,05%) e João Pessoa (-2,42%), houve quedas. A menor oferta dos tipos de banana, diante de uma demanda firme, elevou o preço no varejo.

Produtos que ficaram mais baratos

Houve queda do preço da batata em julho em todas as cidades na região Centro-Sul, onde o tubérculo é pesquisado. A oferta foi normalizada em virtude da colheita da safra de inverno. As reduções mais expressivas foram registradas no Rio de Janeiro (-24,76%) e em Brasília (-22,46%).

O quilo do tomate diminuiu de preço em todas as capitais no mês passado. As taxas oscilaram entre -34,75%, no Rio de Janeiro, e -5,61%, em Belém. Em outras cinco capitais houve queda de valor: Belo Horizonte (-12,10%), Rio de Janeiro (-7,38%), Porto Alegre (-7,28%), Vitória (-3,95%) e Goiânia (-0,37%). A maturação rápida dos frutos elevou a oferta e os preços caíram.

A pesquisa também captou diminuição no preço do óleo de soja em todas as cidades, exceto em Vitória (0,49%). As quedas mais expressivas foram registradas em Belém (-11,72%), Aracaju (-9,43%) e Natal (-6,30%).

Os preços internacionais da soja caíram, em virtude da menor demanda dos Estados Unidos e da China. Internamente, a oferta maior e a menor demanda, devido aos altos patamares dos preços do óleo no varejo, explicaram o decréscimo do valor médio.

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