Faltando quatro meses para o primeiro turno das eleições, o mercado teme uma piora nos riscos fiscais, principalmente com a PEC dos Combustíveis

Rafaela Gonçalves

O risco Brasil, indicador que mede a capacidade do país pagar suas dívidas, retornou aos 300 pontos no mês de junho, no pior patamar desde o início da pandemia, em março de 2020. Com o pessimismo em relação ao risco fiscal no mercado doméstico e o aperto monetário global, o cenário é tomado pelos temores de uma recessão.

Medido pelos contratos de cinco anos do chamado Credit Default Swap (CDS), o risco país é uma espécie de seguro contra um calote de dívida. Quanto maior a pontuação, maiores são os riscos.

“Um dos motivos que tem impactado esse índice é justamente a preocupação com a inflação, principalmente o preço dos combustíveis, que foi um dos ativos a acionar esse alerta no país. Conforme tentamos aliviar a nossa inflação usando medidas políticas no preço dos combustíveis, isso impacta diretamente no risco do Brasil não conseguir arcar com suas dívidas”, explicou o analista da Top Gain, Matheus Lima.

Faltando quatro meses para o primeiro turno das eleições, o mercado teme uma piora nos riscos fiscais, principalmente com a PEC dos Combustíveis, que cria um estado de emergência e libera R$ 38,75 bilhões para o governo federal pagar fora do teto de gastos, limitando as despesas públicas.

Segundo o analista da Levante Investimentos, Luis Nuin, a medida não teria impacto a curto prazo, mas compromete, e muito, a já afetada credibilidade fiscal. “Com o teto de gastos sendo alterado frequentemente, ele deixa de ser uma regra e se torna uma exceção. Isso se torna um problema, que se traduz em um risco maior”, afirmou.

A piora do risco país não é uma exclusividade do Brasil, no mês de junho o indicador subiu em todos os países emergentes, com os principais países da América Latina sofrendo com a piora das perspectivas do cenário internacional.

O economista chefe do banco Original Marcos Caruso ressaltou que a inflação e juros altos estão presentes hoje em todos os países do mundo, inclusive nos desenvolvidos. “Dado também todo o impulso fiscal criado no pós pandemia você coloca em cheque algumas políticas fiscais. E quando você sobe os juros você tem que discutir de certa forma o quanto esse endividamento dos países é sustentável, já que essa dívida está ficando mais cara com os juros subindo”, avaliou.

CORREIO BRAZILIENSE

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