A “reforma” da previdência na França só pode ser aprovada por decreto. É o que pretende o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe. A decisão foi anunciada na tarde de sábado (29), na tribuna da câmara baixa do parlamento.

Protestos Franca coletes amarelos

Após o anúncio, os deputados do partido Les Républicains (LR, conservadores) apresentaram uma moção e afirmaram que não poderiam “aceitar que uma reforma que o governo apresenta como a mais importante do quinquênio não possa ser votada na Assembleia Nacional”.

A esquerda fez o mesmo pouco depois.

Os três partidos de esquerda da Assembleia Nacional da França apresentaram neste sábado uma moção de censura contra o governo do presidente Emmanuel Macron, iniciativa que se soma à anunciada pouco antes pelos conservadores da oposição, devido à decisão de aprovar a reforma da Previdência sem votação.

O Partido Socialista, a França Insubmissa e o Partido Comunista, junto com a deputada Jennifer de Temmerman, ex-integrante da República em Marcha, apresentaram a moção contra “um governo que pisa no processo parlamentar”.

O chefe de governo justificou sua escolha por considerar que o texto, contra o qual foram apresentadas 41 mil emendas, está sendo “obstruído”. “Após mais de 115 horas de debate em sessão pública, tanto de dia quanto à noite, incluindo fins de semana, a Assembleia Nacional chegou ao estudo do artigo 8 de um projeto de lei ordinário que contém 65”, protestou.

O secretário-geral do sindicato CGT, Philippe Martínez, denunciou “a atitude profundamente escandalosa” do governo e anunciou uma mobilização social “a partir da próxima semana”.

A “reforma”, que é a maior reformulação do sistema de aposentadorias e pensões da França desde a Segunda Guerra Mundial, motivou semanas de greves no setor público e protestos nas ruas, antes de adversários do texto levarem a batalha ao Parlamento.

As informações são das agências EFE, Reuters e AFP